A estrelinha de Paulo


Era uma vez um homem muito bonito chamado Paulo.


Paulo era casado com Gisele e os dois viviam em um apto bem aconchegante, em um bairro bem arborizado.


Gisele estava grávida de 34 semanas da pequena Laís, os dois estavam muito ansiosos para a chegada da primeira filha.


Quando Laís chegou, Paulo se dedicou muito à paternidade, estudou sobre os cuidados com os bebês, pesquisou em vários sites, queria mesmo ser um “Pai Ativo”, mudou até algumas amizades que não faziam mais sentido nesse novo ciclo da sua vida.

Ele realmente estava se esforçando para ser um ótimo pai, e estava conseguindo.


Um dia saiu para passear com Laís, ele colocou (sozinho) sua filha no Sling e saiu a pé até o parque, no caminho foi abordado por um casal, eles perguntaram:

- Tem uma criança mesmo aí nesse pano? Paulo mostrou sua filha e o casal ficou encantado com o cuidado da sua “Paternidade Ativa”.

Quando chegou ao parque, Paulo brincou com sua filha e na hora de dar comida, outro casal que passava olhou e disse:

- Ei amigo, você quer ajuda?

Paulo olhou e respondeu com um sorriso no rosto:

- Não precisa, já estou acostumado.

O casal ficou parado, admirando a “Paternidade Ativa” de Paulo.


Quando Paulo chegou em casa, foi contar para Gisele o dia maravilhoso que teve e como achava que realmente estava no caminho certo da sua “Paternidade Ativa”.


Gisele, só olhou para ele e perguntou:

- Você quer uma estrelinha por isso?

Paulo na hora não entendeu nada e perguntou: - Por que está tão estranha? Fiz alguma coisa?


Gisele respondeu:

- Não, você não fez, é a sociedade que faz.


Paulo ainda não estava entendendo, então Gisele continuou: - Quando eu saio com a nossa filha, ninguém me aborda na rua para dizer que sou uma “Mãe Ativa” ou mesmo quando estou dando comida para ela ninguém fica admirando minha “Maternidade Ativa”. Você não faz mais do que sua obrigação de pai, que é cuidar da nossa filha, você não deveria receber créditos por fazer o básico, entende?


Daquele dia em diante, Paulo nunca mais disse que era um “Pai Ativo", ele simplesmente dizia:

- Eu sou o pai da Laís.

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